A bulimia se tornou uma muleta para você?

Comportamentos aparentemente inofensivos podem se transformar em transtornos alimentares que exigem tratamento a longo prazo

Fico imaginando através dos relatos que ouço no consultório como é a vida com uma companheira inseparável, que ao se levantar pela manhã já entra em uma rotina obrigatória ao seu lado. Talvez achássemos bom ter alguém que independente das escolhas que fazemos está sempre ao nosso lado, isso traz um imenso conforto, não acham?

A questão é que quando algo criado por nossa mente e também por nossas escolhas passa a reger a nossa vida, determinando até se iremos ou não sair de casa para trabalhar de manhã, se iremos a uma festa ou mesmo estudar, aí criamos uma dependência. A companheira imaginária se torna real e acabamos nos rendendo a ela, permitindo que ela controle até o que seria responsabilidade do nosso corpo resolver.

Pois é, essa sua amiga, a bulimia, te controla e decide até o que deve ou não permanecer dentro de seu corpo. Ironicamente, sua companheira passa a ter domínio sobre seu corpo, sua saúde, seus desejos e tira até a sua capacidade de escolhas em muitos momentos. A bulimia nervosa é um transtorno alimentar que vem aumentando progressivamente onde a pessoa se utiliza de meios para colocar para fora toda comida consumida em excesso, exigindo o acompanhamento de um médico psiquiatra e psicólogo clínico, sendo que quanto antes buscar ajuda, mais fácil será aprender a lidar com a situação.

Há poucos dias uma pessoa me disse que a ideia em iniciar com o comportamento bulímico se deu ao assistir a um filme, mas sabemos que há muito tempo existem grupos que apoiam e ajudam a disseminar essa prática em que se induz o vômito após as refeições, o uso contínuo de laxantes, diuréticos, exercícios físicos intensos e enemas, como forma de controle e perda de peso.

O que se inicia como uma brincadeira, um pequeno experimento, se transforma-se em um monstro controlador, em que se perde a autonomia pelo menos imaginariamente, em escolher se quer ou não continuar com essa prática. A amiga inseparável acaba mostrando um lado negro que a princípio não foram questionadas, mas em algum momento tomará grandes proporções, trazendo prejuízos à saúde, como a deterioração dos dentes, inflamação do esôfago, problemas renais, alterações do metabolismo e até alterações eletrolíticas que podem levar ao óbito.

Mas a questão é que enquanto esses comportamentos tomam conta do cenário, os sentimentos e emoções que estão dando suporte aos sintomas ficam amortecidos, não sendo necessário, a princípio, olhar para eles. Por isso, a doença se torna uma muleta, pois camufla dores, traumas e sentimentos que precisam ser olhados, cuidados, mas que por algum motivo não se teve estrutura para lidar com essas dores no momento em que se recorreu a essa prática.

Agora que a doença já está controlando a sua vida é preciso buscar ajuda e olhar para o que ela representa para você. Ir além dos questionamentos iniciais, olhar profundamente para essas feridas emocionais que dão suporte à prática bulímica. A escolha é sua, e imagino que mais do que nunca você irá querer se desfazer dessa companheira diária.

 

Doenças Repetitivas

Até quando você irá assistir sua vida dando errado?

Diversas situações que ocorrem em sua vida têm a função de alertar o que precisa ser mudado

Você já prestou a atenção em como algumas doenças ou situações se repetem em sua vida? É muito interessante começar a olhar para esse quadro de uma forma mais ampla para assim entender o que esse ciclo diz a respeito de você mesmo.

Mas antes é importante ter claro que os sintomas nem sempre são físicos, podem ser emocionais e alguns podem estar relacionados a situações negativas que você vem se deparando e que não consegue entender o porquê.

Os dias passam e vamos realizando várias atividades, umas dão certo e outras sempre oscilam ou dão errado, ou mesmo aquela dor chatinha volta a aparecer e por mais que tome medicações, ela volta a incomodar em algum momento.

Talvez seja o momento de parar e respirar. Isso mesmo. Respirar, sentir o ar entrar e sair, sentir-se focado no presente momento e assim começar a olhar com um pouco mais de atenção para o que vem acontecendo com você.

O que é isso que se repete que não permite que sua vida flua com leveza? O que mais precisa acontecer para parar de fugir? De esconder-se de situações e sentimentos que promovem a dor, a inveja, raiva, indignação e tristeza?

O corpo e a vida nos enviam mensagens o tempo todo, basta prestarmos a atenção e nos propormos a mudar. Mas o que acontece é que seguimos fazendo de conta de que tudo está bem e que não é necessário fazer nada com o que está disfuncional, simplesmente podemos ignorar e esquecer que a dor passará.

Mas aí você chega ao meu consultório com a queixa de que nada dá certo, que por mais que tente fazer um projeto deslanchar, sempre acontece algo que faz tudo ir por água abaixo. Ou mesmo queixas de enxaquecas, dores em articulações que não se resolvem, quedas frequentes em que machuca os pés, tornozelos, etc.

Será que não seria mais interessante parar e prestar a atenção no que estas situações ou sintomas repetitivos têm a lhe dizer? O que é necessário acontecer para te acordar de vez e você finalmente olhar para sua dor e decidir-se a resolvê-la?

Muitas vezes traumas ocorridos no decorrer de sua vida faz com que você suprime sentimentos que por sua vez gritará por socorro em forma de outros sintomas, dando sustentação a ideia de que nada dará certo em sua vida, gerando crenças irracionais a respeito do que você pode ou não realizar.

Cada vez que a tal dor resolve se manifestar, você novamente tenta abafá-la, como se fosse uma bola de piscina que tenta a qualquer custo manter embaixo da água, mas que em algum momento, voltará a emergir.

A proposta é permitir-se a olhar os ciclos repetitivos e entender que é melhor parar e resolver o que tenta manter submerso e que vem favorecendo situações ruins em várias áreas de sua vida.

Quando se olha para o que está causando dor e ou mesmo para o que está disfuncional, já se tem uma melhor compreensão das causas primárias que têm gerado problemas. Este é o primeiro passo, a conscientização. A partir desse ponto, é importante observar e escolher um caminho que lhe ajudará a encontrar saídas assertivas, para que desta forma saia do círculo vicioso e possa iniciar uma nova jornada de situações positivas.

 

Propósito De Vida

Quanto mais eu quero vencer, mais encontro obstáculos

Talvez o caminho escolhido não esteja de acordo com o desejo de seu coração

 

Será que você se identifica com essa frase? Nos últimos anos tenho ouvido com muita frequência esse tipo de queixa, o que me leva a pensar o quanto tem de verdade ou de resistência inconsciente.

Ao longo da história os homens saiam para caçar e abastecer a família de comida, e a mulher cuidava dos filhos e afazeres da casa. Ao longo dos anos esse panorama foi se modificando e a mulher saiu para caçar também, isso é, saiu para garantir o sustento dela própria e também da família, no nosso mundo atual.

Muitas se mostraram guerreiras natas, outras tiveram dificuldades em se adequar, mas o que me importa nesse momento é refletir sobre como estamos hoje, e tanto os homens como as mulheres sentem-se pressionados e muitas vezes não percebem que parte deles possa estar contribuindo para esse engessamento que impede maiores conquistas profissionais.

Será que parte desse movimento é a não adequação da atividade profissional escolhida com o desejo real do coração? Pois é, parece muito romântico, mas faz toda a diferença. Quando estamos envolvidos em nosso trabalho, a alma fica plena de satisfação. Não estou falando do financeiro ou até das condições de trabalho, mas de estar alinhado com um propósito maior, que é o desejo da alma.

Sabe quando você era pequeno e queria muito ser repórter? Ficava horas babando na frente da televisão imitando o rapaz do jornal do dia. Mas aí vamos crescendo, vamos adquirindo crenças, outras situações nos são apresentadas e muitas vezes nos levam para outra direção, e acabamos por esquecer o sonho de criança.

Claro que nem sempre é assim, muitas vezes nos tornamos adultos, fazemos escolhas que nos dão essa sensação de plenitude, de estar no lugar certo e encaixado. Mas pode ser que em algum momento você se questione, se pegue incomodado em acordar todos os dias para trabalhar. Sente-se preso, incomodado e se dá conta que não está feliz, que falta algo mais.

Você pode até me responder que a vida é assim, que precisamos ter um caminho, ganhar dinheiro e sobreviver, e eu vou dizer a você que está certíssimo. Porém, apesar de nossa necessidade de sobreviver e pagar contas, podemos sim alinhar nosso desejo e ajustar a forma de viver. É preciso avaliar se está valendo acordar pela manhã de mau humor, ir trabalhar forçado e quanto essas situações têm feito mal a você e a sua família.

Nesse momento de extremo desgaste você começa a dar murro em ponta de faca, tudo o que tenta dá errado, aparecem obstáculos e você tropeça sem parar. Talvez seja o momento de repensar suas escolhas e se permitir explorar novas opções.

Muitas vezes insistir em uma profissão só por causa do diploma não é interessante, sendo preciso ampliar o olhar, olhar entorno e buscar outra área de atuação que vai fazer o seu coração vibrar e seus olhos se iluminarem.

Quando conseguimos encontrar um trabalho que nos encante, a energia se renova, adquirimos força extra e nos automotivamos constantemente. Por isso, o convido a refletir sobre o título desse texto, olhar profundamente para dentro do seu eu interno e se responder: será que nesse momento estou querendo vencer mesmo ou há um grande não inconsciente gritando aí dentro de você?

Para pensar!

 

 Brigas De Família
 

Quando somos espectadores da disfuncionalidade familiar

Os laços de amor ou de sangue nem sempre são suficientes para segurar uma família unida

 

Era apenas mais um domingo em família, daqueles em que esperamos muitas risadas, conversas leves, piadas e um almoço recheado de temperos deliciosos. Os ingredientes tornam o todo muito especial, uma reunião familiar em que estamos inteiros, com a única finalidade de compartilhar amor. Como as relações não são sempre totalmente redondinhas, sempre há algumas arestas a serem aparadas, ainda assim cada um pode colocar sua dor em uma caixinha e no almoço levar o seu melhor, para que a harmonia seja o ingrediente principal.

Mas essa não é a realidade de muitos. Infelizmente há muitas famílias disfuncionais, onde só enxergam a si mesmos, onde só prevalece a sua própria dor, a qualquer custo. Podem até não perceber em um primeiro momento o mal que espalha para os que estão ao seu redor, e quando recebem esse feedback de algum membro da família, rebatem, pois não querem assumir a responsabilidade das situações em que estão inseridas.

Não se pode ser feliz em uma família onde existem pessoas infelizes, é como se você fosse condenado a viver essa dor junto com eles, e quando você sai fora da situação contaminada ao perceber o movimento patológico que existe, você se torna a ovelha negra, aquele que traiu o acordo familiar, transgrediu a lei ao querer ser feliz.

Toda essa dinâmica é muito complexa, envolve um processo de autoconhecimento e ferramentas internas para conseguir sobreviver às dores, tristezas e crenças que mesmo não querendo, já nos contaminaram e determinam muito de nossas decisões e escolhas. Quando em um processo de terapia começamos a nos fortalecer e compreender como funciona o sistema familiar que estamos inseridos, vamos mudando aos poucos os nossos comportamentos, nossa percepção da vida, o que por um lado é um grande alívio, mas por outro pode exigir uma postura firme, com limites claros, entre o que irá permitir em sua vida ou não. Isso é, eu não quero ser infeliz e não irei permitir que a tristeza de vocês contaminem a minha vida.

Cada familiar faz a sua parte, estimulando mudanças, orientando, acolhendo e em muitos momentos, dando limites. É preciso somente ficar claro que na grande maioria das vezes as pessoas não querem mudar, pois essa mudança exige um esforço emocional muito grande e é muito difícil olhar para a vida e perceber que se errou e como isso promoveu discórdia e tristezas.

Desta forma, cada um dentro do sistema familiar faz a sua parte o melhor possível, mas sabendo que é preciso sim respirar um ar mais leve, buscar a felicidade e principalmente buscar desenvolver a sabedoria emocional para fazer diferente.

 

Compulsão Alimentar

A compulsão alimentar é um pedido de socorro do corpo

Está na hora de parar de maltratar e aprender a se amar de verdade

 

Outro dia que você perdeu o controle e comeu mais do que deveria. Essa situação é comum nos dias de hoje, milhares de pessoas acordam todos os dias dispostas a comerem corretamente, mas de repente, algo acontece e tudo se perde.

Nesse momento começam aparecer os pensamentos negativos gerados pela baixa autoestima, que você se autorrotula de incapaz, tudo porque não conseguiu controlar a crise de compulsão, mais uma vez.

O que vem acontecendo é algo muito simples, mas que praticamente todas as pessoas que querem perder peso ignoram, que são os malefícios das dietas da moda ou restritivas. Junto a esse fato tem vários profissionais que fortalecem esse comportamento quando trabalham com esse foco.

E quanto mais a preocupação com o corpo, mais se ignora os verdadeiros gatilhos que o levam a não prestar a atenção nos aspectos de sua vida que não estão bons em detrimento da imagem refletido no espelho.

O corpo que sempre funcionou certinho em algum momento reage em função do comer errado, com muitas frituras, doces e massas. Reclama do excesso, e não do consumo de uma boa massa no domingo ou de uma sobremesa. A grande questão é que você começa a maltratar o corpo exagerando e depois fica bravo com os resultados. Parte para uma dieta restritiva e aos poucos percebe que tem um novo problema para lidar além do peso, a compulsão alimentar.

Se você tem um carro que funciona somente a gasolina e coloca diesel ou álcool, o que irá acontecer? Pense. O corpo é uma máquina que precisa de uma alimentação equilibrada e saudável.

Mas onde foi que você se perdeu que começou a usar a comida como um grande amortecedor? O que em sua vida não está lhe proporcionando satisfação? Está faltando prazer? Está correndo atrás de resultados no emprego e está ficando muito ansiosa ou mesmo deprimida? O namoro ou casamento não anda bem? Ou a solidão está te esmagando e a comida acaba por ocupar o lugar de um grande conforto e prazer?

São tantos os motivos que somados a outros fatores podem se tornar um grande gatilho, por isso é importante pensar com carinho: por que tem se maltratado tanto? O que está precisando no momento é de um colo, de um profissional que trabalhe esses gatilhos que estão te desestruturando, antes que o rombo seja muito grande e só reste tratamentos com medicações e até cirúrgicas, se chegar a um peso extremo.

Preste atenção no que está colocando boca adentro, mesmo sendo saudável é preciso ter equilíbrio, restrições levam a um déficit e a vontade de comer aumenta ainda mais. Lembre de seu carro, ele vai mostrar claramente que colocou o combustível errado e você irá respeitar na próxima vez quando for abastecê-lo. Então faça isso com você também. Abasteça primeiro o seu coração resolvendo as pendências que estão te deixando mal, e depois conseguirá comer e alimentar o seu corpo com muito mais amor e respeito.